Compreenda a diferença entre o Karatê Esportivo e o Karatê Budo

O Karatê Budo

O Karate (Mãos Vazias) é uma Arte Marcial de origem japonesa, tendo sua origem na ilha de Okinawa. Sendo uma ilha onde era proibido o uso de armas, os habitantes começaram a desenvolver formas de luta nativas, que misturadas com as artes marciais trazidas da China, deram origem ao Karate como é conhecido hoje. Apesar de ter tido influências de outras artes, o Karate atual é diferente de qualquer Arte Marcial existente, tendo uma metodologia única de treinamento, filosofia e condicionamento físico.

Foi com Funakoshi Gichin Sensei (Professor), habitante de Okinawa no século 19, que o Karate passou por uma sistematização de treinamento de suas técnicas, tendo incorporado não apenas aspectos físicos, mas também de códigos de conduta e filosofia de vida com o intuito de criar praticantes não apenas capazes tecnicamente, mas com um forte caráter e forma de agir perante a vida. Sensei Funakoshi é responsável por transformar o Karate num caminho, uma filosofia de vida, usando para isso o termo Karate-Do (O Karate como um Caminho de Vida). Desta forma, o Karate-Do é uma Arte Marcial embuída de valores morais como a formação do caráter, a honestidade, o respeito e o controle emocional diante das dificuldades da vida.

Apesar de ser uma arte treinada secretamente na época de Sensei Funakoshi, ao ser introduzida no japão em 1922, a arte começou a ter o potencial de expandir-se pelo mundo afora. Para isso foi criada a Associação Japonesa de Karate (Japan Karate Association – JKA) em 1956, tendo como diretor Nakayama Sensei, um dos alunos formados por Funakoshi Sensei no japão.

Nakayama Sensei foi responsável pela expansão do Karate-Do pelo mundo, usando para isso três recursos: uma série de livros e vídeos abordando todo o treinamento do Karate-Do, enviando diversos Instrutores formados pela JKA para o exterior, e introduzindo as competições como forma complementar de treinamento do Karate-Do.

A primeira competição de Karate foi realizada em 1957 no ginásio Budokan, no Japão. Foi o marco inicial para a expansão do Karate esportivo pelo mundo.

O Karatê como um Esporte

Com o surgimento do Karate-Do no Japão, através de Funakoshi Sensei, não havia nenhuma forma de competição. O próprio Funakoshi Sensei não era a favor das competições pois ele entendia que elas poderiam instigar o que há de pior nos seres humanos: a vaidade, a raiva, a vingança, o desrespeito, e a falta de cordialidade, elementos do ego humano que devem ser combatidos e não alimentados. Até sua morte em 1957, aos 90 anos de idade, não existia o Karate-Do como competição, e sim como uma Arte Marcial usada para fortalecer o corpo, melhorar a saúde e especialmente moldar o caráter dos praticantes.

Após a morte de Funakoshi Sensei em 1957, Nakayama Sensei começou a expandir o Karate-Do para o ocidente, e portanto decidiu introduzir as competições no Karate-Do como uma maneira de estimular a prática do Karate-Do.

A competição em si é uma oportunidade para que os praticantes possam confrontar-se, aprimorando e melhorando a si mesmos, usando para isso outros colegas como oponentes. Dentro de regras bem estabelecidas, os competidores trabalham, ao mesmo tempo, aspectos técnicos (velocidade, tempo de ataque e defesa, eficiência das técnicas, resistência física, entre outros), e aspectos internos (controle do medo, da ansiedade, concentrar-se perante uma platéia, entre outros).

É importante a salientar que o treinamento do Karate-Do jamais deve ser negligenciado a favor das competições. Nunca foi o objetivo de Nakayama Sensei fazer uso das competições para criar algo paralelo, e sim algo complementar, coadjuvante ao treinamento do Karate-Do

Mesmo com as competições, o objetivo do Karate-Do permanece: formar praticantes fortes e saudáveis, com caráter e conduta de vida exemplar para a sociedade atual. Para isso, é imprescindível que o treinamento de Karate-Do seja constante, todos os dias e todas as horas. Dentro ou fora do Dojo (local onde se pratica o Karate-Do), o Karate se revela a cada ação de seu praticante, a cada interação social que ocorre no dia-a-dia. É preciso esforço constante para moldar e manter um caráter digno. Só assim o praticante poderá chamar-se de Karateca.